Funcionário da Casa da Bolsa alega ter sido vítima de racismo e assédio moral e acusa a chefa
O funcionário da Casa do Bolsa Família em Macapá e ex-presidente da União dos Negros do Amapá (UNA), Iury Lorran da Silva Soledade, de 25 anos de idade, registrou um Boletim de Ocorrências (BO) na 2° Delegacia de Polícia (DP), alegando que foi vítima de racismo e assédio moral.
O fato teria ocorrido por volta das 10h da última sexta-feira (5), na Central Única de Beneficiários. O caso foi registrado como racismo institucional e assédio moral.

Soledade acusa Eliane Teixeira, chefa da central do cadastro, de agressão verbal. Segundo ele, a mulher teria gritado com o mesmo e dito palavras ofensivas e de baixo calão contra ele, na frente de dezenas de beneficiários, após este ter dado prioridade para um idoso. Além disso, ela teria constrangido o senhor, que tem mais de 90 anos de idade, no momento em que o ancião estava sendo atendido.
Ainda de acordo com Iury Soledade, este não seria o primeiro caso de discriminação que ocorre no órgão. O ex-presidente da UNA afirmou que muitos entrevistadores sociais e digitadores estariam sendo ameaçados de demissão e de terem suas folhas de pontos retidas .
“Esses meses de trabalho sempre procurei fazer meu melhor com competência, amor, carinho e ajudar ao próximo. Portanto, não aceito desrespeito e qualquer constrangimento que venha desmerecer a luta que travamos a frente da COVID-19, para que beneficiários de toda a cidade não tivessem seus benefícios bloqueados ou cancelados. Entendemos que além de ser uma casa de entrevista social, a casa do bolsa deve ter seu papel fundamental, que é tratar seus benefícios com respeito. Após a mudança de gestor da bolsa e o aumento da demanda, são muitos os números de beneficiários pegando sol e chuva, além de não ter uma boa acolhida na recepção. Quilombolas, idosos e indígenas devem ser tratados como prioridade através da lei que vos ampara”, disse Soledade através de uma carta aberta, prometendo encaminhar o caso para o Ministério Público (MP) e para o conselho de assistência social.
Por telefone, Eliane Teixeira conversou com a nossa equipe e disse que as acusações não procedem.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informa que lury Lorran Silva da Soledade fez parte do quadro de servidores da Casa do Bolsa, como prestador de serviço, exercendo o cargo de “entrevistador social” desde julho de 2022, sendo exonerado no mês de agosto.
O ex-colaborador foi considerado ‘não habilitado’ pela Coordenação Estadual dos Programas Cadastro Único e Auxilio Brasil (CEPAB), da Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social (SIMS), responsável pelo treinamento das equipes que atuam no atendimento de benefícios sociais do Governo Federal.
Além disso, o prestador de serviço não estava cumprindo seus deveres de maneira adequada, provocando uma sobrecarga de atendimentos diários e reclamações dos usuários.
A Semas reforça que tomou as medidas necessárias para garantir o andamento dos serviços de assistência social para a população e reitera que está à disposição para qualquer esclarecimento.
iury informou que ainda não foi notificado pela Semas e que entrou naquela Secretaria através de um processo seletivo.



