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Polícia

Operação Cavalo de Tróia investiga loteamento de vagas públicas para facção criminosa em Macapá

A Polícia Civil do Estado do Amapá, por meio da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, deflagrou na manhã desta quinta-feira (15) a “Operação Cavalo de Tróia”.
A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em residências, num gabinete da Câmara de Vereadores de Macapá e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN). A investigação apura um suposto esquema de loteamento de postos de trabalho em empresas terceirizadas prestadoras de serviços à saúde e entidades conveniadas, que estariam sendo direcionados a indicados da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA).

De acordo com o delegado Estefano Santos, o esquema funcionaria sob uma relação de troca: lideranças do grupo criminoso promoveriam mobilizações comunitárias para agentes políticos e, em contrapartida, parlamentares e servidores garantiriam as contratações, além de facilidades administrativas no sistema prisional.

Medidas Cautelares
Para interromper as atividades investigadas, a Justiça determinou o afastamento imediato de funções públicas. As medidas atingem:

  • Um Vereador: Afastado do mandato, com proibição de acessar a Câmara Municipal e seus sistemas;
  • Um Primeiro Suplente de Vereador: Suspenso de eventual convocação ou posse;
  • O Diretor do Departamento de Ressocialização do IAPEN: Afastado da função e proibido de ingressar em unidades prisionais;
  • Uma Servidora da Ouvidoria da Câmara: Afastada do cargo sob suspeita de atuar na recepção de currículos e agendamento privilegiado de consultas.

Todos os investigados estão proibidos de manter contato entre si, com testemunhas ou com lideranças presas, devendo comparecer periodicamente em Juízo.

Câmara Municipal de Macapá questiona momento da operação
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (15), a Câmara Municipal de Macapá manifestou preocupação com a deflagração da operação e questionou a cronologia dos fatos, destacando que o alvo principal foi o vereador Daniel Theodoro, recentemente eleito vice-presidente da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.
A nota aponta que o inquérito foi aberto em 10 de setembro e que a deflagração da operação ocorreu dois dias após a eleição da Mesa Diretora, levantando questionamentos sobre a motivação da ação. A Casa Legislativa também contestou a divulgação de que as buscas teriam ocorrido na Câmara de forma abrangente, afirmando que a diligência se concentrou em duas salas.
Diante do caso, a Procuradoria da Câmara informou que solicitará o afastamento cautelar do delegado responsável pelas investigações e apresentará uma representação junto à Corregedoria da Polícia Civil para apurar a conduta e a regularidade do procedimento. O Legislativo reafirmou seu apoio ao combate ao crime organizado, mas defendeu a necessidade de transparência, legalidade e imparcialidade nas apurações.

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