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Polícia

PF apura movimentações em dinheiro vivo envolvendo prefeito de Macapá e obra de hospital

Da Redação

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal aponta movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo pessoas ligadas ao prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB). Registros de câmeras de segurança e ações de monitoramento policial identificaram saques elevados em dinheiro vivo, que somam centenas de milhares de reais, realizados em diferentes datas.

De acordo com o inquérito, um motorista que utilizava um veículo oficial do prefeito foi flagrado indo a agências bancárias para retirar valores expressivos em espécie, o que despertou a atenção dos investigadores. Os recursos estariam relacionados à execução de uma obra hospitalar orçada em cerca de R$ 69 milhões, financiada por emendas parlamentares.

Imagens analisadas pela PF mostram que, em 23 de maio de 2025, o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da empresa Santa Rita Engenharia LTDA, investigada por suposto direcionamento de licitação, sacou R$ 400 mil em dinheiro. Pouco depois, o mesmo veículo seguiu para um laboratório pertencente ao ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque, o que, segundo a Polícia Federal, pode indicar a entrega de valores.

Em outro episódio, no dia 18 de junho de 2024, os investigadores acompanharam novos saques em espécie: R$ 130 mil retirados por Rodrigo de Queiroz Moreira e R$ 260 mil por Fabrizio de Almeida Gonçalves, também sócio da Santa Rita Engenharia. Em uma dessas ações, um dos investigados conduzia um automóvel vinculado ao prefeito.

A apuração também identificou Jerqueson da Costa Rodrigues, funcionário da residência de Dr. Furlan, realizando retiradas bancárias. Para a Polícia Federal, há indícios de que ele atuava sob ordens diretas do prefeito, inclusive em atividades consideradas suspeitas no contexto da investigação.

No relatório final, a PF afirma que há elementos que indicam a participação direta do prefeito no esquema investigado. Durante o andamento do inquérito, a corporação chegou a solicitar o afastamento de Dr. Furlan do cargo, pedido que foi negado pela Justiça.

O contrato da obra foi assinado em maio de 2024, no valor de R$ 69,3 milhões. Segundo a Polícia Federal, apenas um dos investigados teria sacado aproximadamente R$ 9 milhões em espécie ao longo do período analisado. A investigação aponta ainda o uso de estratégias para ocultar a origem dos recursos, como entregas presenciais de dinheiro e movimentações bancárias fragmentadas.

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