Entre a fé, a educação e a coragem: a história de superação de Eliane Ferreira, fundadora do Colégio Batista de Macapá

Criada na zona rural do Mato Grosso do Sul, entre a simplicidade da roça e o desejo constante de aprender, Eliane Ferreira Borges da Graça construiu uma trajetória marcada pela fé, pela educação e pelo empreendedorismo feminino. Há quase 30 anos no Amapá, ela é o nome por trás do Colégio Batista de Macapá, uma instituição que nasceu pequena, cresceu com propósito e hoje retorna como símbolo de recomeço e superação.
Missionária por vocação, Eliane chegou ao Amapá movida pelo desejo de servir. À época, possuía apenas o ensino médio, mas nunca abriu mão do sonho de estudar. Prestou vestibular para a Universidade Federal do Amapá (Unifap), formou-se em História e, posteriormente, em Direito. Foi nesse percurso que a educação deixou de ser apenas um caminho pessoal e passou a se tornar uma missão coletiva.
Em 2007, no fundo de um terreno e com estrutura modesta, nascia o Colégio Batista de Macapá. O que começou pequeno se transformou, ao longo de 16 anos, em uma escola que chegou a atender mais de mil alunos, implantando o ensino fundamental e avançando até o ensino médio. Mais do que formar estudantes, a escola se tornou um espaço de oportunidades.

“Por aqui muitos professores tiveram a primeira carteira assinada. Aprenderam, cresceram, passaram em concursos ou seguiram carreira em outras escolas. Eles sempre voltam para agradecer”, relembra Eliane. Para ela, empreender na educação sempre significou mais do que abrir portas, era oferecer esperança, dignidade profissional e a certeza de que ensinar é, acima de tudo, um dom.
Além do ensino formal, o Colégio Batista consolidou-se como uma escola confessional, com forte trabalho voltado aos valores humanos e sociais. Respeito, solidariedade, honestidade, pontualidade e compromisso sempre caminharam junto com o conteúdo pedagógico. “A gente ensina conhecimento, mas também ensina a ser cidadão de bem. Professor é conselheiro, é amigo, é referência”, afirma.
A pandemia, no entanto, trouxe um dos períodos mais difíceis dessa trajetória. Perdas familiares, impactos financeiros e incertezas levaram à decisão de pausar as atividades da escola por quatro anos. Foi um tempo de silêncio institucional, mas não de estagnação pessoal. Durante esse intervalo, Eliane concluiu o mestrado, viajou para fora do país e revisitou sonhos que haviam ficado guardados.

Quando decidiu reabrir o colégio, no final de 2025, impulsionada pelo carinho de ex-alunos, (hoje universitários), e pelo reconhecimento do impacto que a escola teve em suas vidas, um novo desafio surgiu: o diagnóstico de câncer de mama.
“O chão some. Você repensa tudo. Valores, tempo, prioridades”, relata. Com serenidade e fé, ela enfrentou o tratamento. Precisou sair do estado para conseguir atendimento rápido, realizou cirurgia e passou por um processo intenso, marcado pela incerteza, mas também pela paz. “Eu amo o que eu faço. E isso também me sustentou”, diz.
Agora, em 2026, o Colégio Batista retorna às atividades como um símbolo de renovo. Menor em estrutura, mas maior em propósito, a escola aposta no acompanhamento próximo das famílias, em um ambiente seguro e no compromisso com a excelência educacional. “Ser uma escola pequena nos permite cuidar melhor do aluno, ouvir a família, caminhar juntos”, explica.
Empreendedora, educadora e mulher, Eliane representa uma geração que não desiste diante das pausas impostas pela vida. Sua história mostra que recomeçar também é um ato de coragem, e que educação, quando feita com propósito, transforma não apenas alunos, mas a sociedade.








