Macapá Verão

Perto do palco e longe do isolamento: Macapá Verão tem área que incluiu de verdade

Quem tem alguma deficiência e já tentou ir a um grande show de arena sabe que a experiência, muitas vezes, se resume a lutar contra a multidão por um espaço invisível, espremido lá no fundo, onde mal dá para enxergar o artista. No Macapá Verão 2026, uma mudança simples na geografia da Praça Jacy Barata começou a desenhar uma história diferente para esse público.

Na última segunda-feira (13), Dia Mundial do Rock, a área destinada às Pessoas com Deficiência (PCDs) foi tirada do “isolamento” dos fundos e trazida para a frente, colada ao palco.

A decisão de reposicionar o espaço veio após a própria organização do evento identificar o óbvio: a barreira física que distanciava essas pessoas da emoção do show. Com a mudança, além da proximidade com os artistas, a estrutura passou a contar com banheiros adaptados exclusivos e uma área de circulação mais segura.

Segundo a Prefeitura de Macapá, a nova disposição será mantida como padrão para todas as próximas apresentações na praça ao longo da programação das férias.

Para além da engenharia do evento, a mudança teve impacto direto na vida de quem estava ali para curtir. O jornalista Raul Mareco, autista nível de suporte 2, foi um dos primeiros a ocupar o novo espaço. Ele lembra que o lazer inclusivo ainda é uma barreira a ser vencida na sociedade.
“É importante esse espaço porque a gente precisa ter visibilidade. Ainda há muito preconceito com relação aos PCDs no geral, sejam cadeirantes, autistas ou pessoas com outras neurodivergências. Quando a gente vê uma área pensada para nós, sente que esse preconceito está sendo deixado de lado”, desabafou Raul.

Raul Mareco, Autista suporte II, aprovou a área

Ele também pontuou um detalhe que muitos ignoram ao pensar em acessibilidade: o direito à escolha de estar ali. “Tem autistas que não conseguem ouvir barulho alto, mas, assim como eu, tem quem goste de alguns sons específicos e queira curtir o show. Esse espaço é maravilhoso e espero que o poder público olhe mais para a gente em outros locais também. Nós temos direitos garantidos por lei”, completou o jornalista.

Com a nova estrutura testada e aprovada, milhares de pessoas puderam dividir o mesmo metro quadrado de emoção para cantar os clássicos do rock nacional com a banda Capital Inicial e os artistas locais que se apresentaram na noite.

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