Mulheres

Casa da Mulher Brasileira em Macapá atinge 100 dias com mais de 400 atendimentos e foco em acolhimento integrado

Completando 100 dias de funcionamento nesta quinta-feira (18), a Casa da Mulher Brasileira (CMB) de Macapá consolidou-se como o principal porto seguro para mulheres vítimas de violência doméstica no Amapá. Inaugurado no dia 8 de março deste ano, o espaço funciona 24 horas por dia no bairro São Lázaro e apresentou um balanço que traduz a urgência de sua estrutura: foram 144 mulheres acolhidas e 482 intervenções especializadas realizadas neste primeiro ciclo.

A centralização de serviços, que reúne no mesmo teto delegacia, Ministério Público, Judiciário, Polícia Científica, Defensoria Pública e atendimento psicossocial, foi projetada justamente para quebrar a burocracia que muitas vezes desampara a vítima. Na prática, cada mulher que buscou ajuda passou por mais de três atendimentos integrados, evitando o desgaste de circular por diferentes órgãos públicos e reduzindo a chamada revitimização.

O relatório divulgado traça um retrato preocupante, mas realista, da violência de gênero na capital. A maioria das mulheres atendidas tem entre 20 e 46 anos e enfrenta graves barreiras sociais como fortíssima incidência de subocupação e desemprego, além de vulnerabilidade social e instabilidade habitacional, o que historicamente dificulta o rompimento do vínculo com o agressor.

Entre os casos mais emblemáticos acompanhados pela equipe nestes pouco mais de três meses está o de uma mulher de 31 anos. Ela foi resgatada no dia 4 de junho em uma comunidade ribeirinha de Macapá, após viver 15 anos em situação de cárcere privado e tortura sistemática, em uma ação conjunta da Operação Mulher Segura.

A consolidação da Casa da Mulher Brasileira na capital é fruto de um esforço parlamentar decisivo que começou em Brasília. A construção do complexo de acolhimento foi viabilizada por meio de emenda parlamentar da deputada federal Aline Gurgel, e do senador Davi Alcolumbre, que articularam e garantiram os recursos necessários junto ao Governo Federal para erguer a estrutura na zona norte de Macapá.

Durante o evento que marcou os 100 dias, foi reforçado que os dados apresentados servem como parâmetro para alinhar o trabalho com os movimentos sociais e a comunidade. O desafio agora é expandir a conscientização para que mais mulheres saibam que não estão sozinhas e que o atendimento integrado funciona ininterruptamente na cidade.

“Apresentamos informações para dialogar com os movimentos sociais, com as mulheres, com a comunidade, para ter um parâmetro de atendimento, o que nós podemos continuar e o que precisa melhorar no atendimento. Aqui a mulher tem acesso à delegacia, o Ministério Público, o Judiciário, a Polícia Científica, a Polícia Penal. Todos trabalhando de forma integrada, que não só agiliza o atendimento, mas previne a violência, acolhe as vítimas e garante que elas tenham seus direitos respeitados”, completou o governador Clecio Luís.

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