Investigação

PF Investiga Esquema de Ataques Digitais e Uso de Inteligência Artificial no Amapá

Uma investigação da Polícia Federal (IPL nº 2026.0020942) revela a existência de uma estrutura organizada e profissional voltada à disseminação de notícias falsas e ataques digitais contra opositores políticos no Amapá.

O esquema, que operaria desde 2020, teria como objetivo principal beneficiar o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, e teria sido financiado, em tese, com recursos da publicidade institucional da prefeitura

Segundo os documentos, a rede de desinformação era coordenada por Juarez Pantoja Menescal de Sousa, ex-Secretário Municipal de Comunicação, que exercia a direção editorial e definia as pautas de ataque. Através de grupos de WhatsApp como “Base de produção” e “Redes Portal 1Norte”, Menescal coordenava influenciadores e portais de notícias para replicar conteúdos depreciativos.

PF teve acesso a grupo que investigados trocavam mensagens

A investigação aponta que a empresa de comunicação que possui contrato com a Prefeitura de Macapá, atuava como o núcleo financeiro, intermediando pagamentos para páginas e influenciadores digitais vinculados ao esquema. Entre as páginas citadas no inquérito que receberiam repasses estão o “Portal 1Norte”, “Bambam News”, “Ispia Amapá” e “Sales News”.

Uso de Inteligência Artificial para Difamação

Um dos pontos mais alarmantes da investigação é o uso indevido de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para criar roteiros e animações de cunho difamatório. Figuras públicas como o Governador Clécio Luís, o Senador Davi Alcolumbre e o Prefeito interino Pedro da Lua foram alvos sistemáticos.

Em um dos conteúdos produzidos com IA, os políticos eram associados a personagens fictícios pejorativos, como o personagem “Chuclécio”, criado para atacar a imagem do atual governador. Enquanto a oposição era atacada, os perfis promoviam a “exaltação da imagem” de Antônio Furlan e de sua esposa, Rayssa Furlan.

PF constatou em conversas que grupos criavam narrativas contra adversários políticos

Provas Coletadas

A Polícia Federal obteve acesso a conversas de WhatsApp após a entrega voluntária do aparelho celular de um dos envolvidos, Gleidson Alves Barros, que atuou na Secretaria de Comunicação. As mensagens mostram comandos diretos de Juarez Menescal para a criação de “cards” e textos de ataque, além de pedidos de acesso (senhas) a perfis de notícias para publicações coordenadas.

Relatórios da Prefeitura de Macapá enviados à PF indicam que várias dessas páginas não realizavam publicidade institucional real, servindo apenas para propaganda pessoal do ex-gestor e ataques a rivais, tudo custeado pelo erário.

Medidas Judiciais

Diante da gravidade dos fatos, a autoridade policial representou por diversas medidas cautelares, incluindo:

  • Busca e apreensão contra os principais operadores.
  • Suspensão imediata de perfis em redes sociais, como o @Ispiaamapá, @Programapotoca e @Me_solta_amapa.
  • Quebra de sigilo de dados telemáticos e registros de IP junto à META.

O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) já autorizou a instauração do inquérito e o acesso aos dados dos dispositivos apreendidos, visando resguardar as evidências digitais e restaurar a ordem pública no processo democrático. A investigação prossegue para identificar todos os beneficiários e a extensão do desvio de recursos públicos.

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