Cacau do Cassiporé dá primeiro passo para obter selo que pode projetar produção do Amapá no mercado nacional

O cacau produzido nas várzeas do Cassiporé, em Oiapoque, deu mais um passo para se tornar um produto oficialmente reconhecido pela sua origem e características únicas. Produtores da região iniciaram o processo de estruturação da Indicação Geográfica (IG), certificação que valoriza produtos diretamente ligados ao território onde são produzidos.
A proposta é reconhecer a singularidade do chamado Cacau do Cassiporé, cultivado em áreas de várzea às margens do rio Cassiporé por famílias ribeirinhas, quilombolas e indígenas que têm na atividade uma importante fonte de renda.
De acordo com a gestora estadual do projeto de Indicação Geográfica do Sebrae Amapá, Mara Rida, a iniciativa começou a ser construída a partir de estudos realizados em 2023, que identificaram o potencial da produção local.
“Agora estamos ouvindo os produtores e construindo esse caminho de forma colaborativa. Essa reunião teve como objetivo organizar as etapas necessárias para a obtenção da certificação”, explicou.

Um dos diferenciais do cacau da região está na influência direta da natureza sobre o cultivo. Durante o inverno amazônico, as áreas de produção são inundadas pelas águas do rio, que levam nutrientes e renovam naturalmente o solo.
Para o consultor de Indicações Geográficas, Ton Lugarini, essa combinação entre ambiente e conhecimento tradicional é um dos principais argumentos para o reconhecimento.“Fatores como o regime das marés, o solo, a biodiversidade e o modo de cultivo formam um conjunto único”, afirmou.
A expectativa também é grande entre os produtores. Presidente da Associação do Cacau do Cassiporé, João Dorismar da Paixão considera o momento histórico para a comunidade.
“Essa dinâmica da natureza faz com que o nosso cacau de várzea tenha características próprias, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Esse é um momento histórico para Oiapoque e para todos os produtores que vivem aqui”, destacou.
Atualmente, o Amapá possui duas Indicações Geográficas reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): o Abacaxi de Porto Grande e o Açaí do Bailique. Caso o processo seja concluído com sucesso, o Cacau do Cassiporé poderá se tornar o terceiro produto amapaense a receber a certificação.







